Essas mudanças refletem uma reconfiguração mais ampla das prioridades das organizações e governos em nível global. Nos EUA, a Casa Branca tem adotado uma postura mais crítica em relação a regulamentações ESG e iniciativas de diversidade. Programas federais voltados para a inclusão vêm sendo reduzidos.
Na Europa, o debate segue forte, mas enfrenta resistência de setores mais conservadores. Já na China, a abordagem ao tema segue pragmática, focada no desenvolvimento econômico e na competitividade tecnológica, com menor ênfase nos valores ocidentais de diversidade e inclusão.
Diante desse cenário, a pergunta que se impõe é: como as organizações ao redor do mundo, incluindo as brasileiras, irão reagir? Seguirão a tendência de reavaliação das políticas de DEI e ESG ou consolidarão esses pilares como parte de sua identidade e estratégia de longo prazo?
E aqui no Brasil, como estamos?
Dados relevantes
No Brasil, o cenário de DEI está em construção. Avançamos, mas desafios permanecem.
Segundo a pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais (Dieese, 2024), há 4,4 milhões de mulheres desocupadas no país, das quais 2,9 milhões são negras. E 41,9% das mulheres negras estão na informalidade.
Ao se analisarem os salários médios das brasileiras, observa-se que as não negras com ensino superior ganham em média R$ 5.303 mensais, enquanto as negras com ensino superior ganham R$ 3.271 por mês. A disparidade se torna ainda mais evidente quando se verifica a remuneração média mensal dos homens: os não negros ganham R$ 8.173, enquanto os negros recebem R$ 5.755.
De acordo com a edição 2023 /2024 do Perfil do Instituto Ethos, dentre as organizações que indicaram ter políticas ou ações de promoção de oportunidades (desde a contratação), apenas 36,8% estabelecem metas para reduzir a desigualdade salarial entre homens e mulheres, indicando que, na maioria, esse tema ainda não foi completamente incorporado como prática de gestão da diversidade e inclusão.
Além disso, 58,9% indicaram não estabelecer nenhuma meta de equiparação salarial que considere esse olhar sobre as disparidades salariais envolvendo determinados grupos de diversidade.
Sobre a distribuição por gênero, raça e pessoas com deficiência nesse Perfil das organizações participantes: