Categories: Sem Categoria

Gestão estratégica: como engajar os colaboradores nos objetivos da empresa

Qual foi a última demanda que você entregou e sentiu satisfação por ter ficado responsável por ela? Você saberia dizer se a demanda fazia parte de algum projeto e também qual o objetivo final da entrega? Como isso se reverteu em benefício para a empresa e para você?

Essas perguntas são facilmente respondidas por alguém que conhece e compreende a importância do próprio trabalho para o alcance dos objetivos da empresa e que enxerga neles uma motivação para desenvolvê-lo.

Seus colaboradores conseguiriam respondê-las? Se a resposta for não, você precisa mesmo ler esse artigo.

Isso porque a gestão estratégica visa, justamente, envolver as pessoas na estratégia da corporação, fazendo-as perceberem valor pessoal nela. Desta forma, a grande vantagem desse modelo é o engajamento gerado por ele.

Mas como é isso na prática?

O conteúdo desse artigo pode te ajudar:   

  • – O que é gestão estratégica?
  • – Por onde começar uma gestão estratégica de pessoas?
  • – Definição do objetivo estratégico
  • – Comunicação do objetivo
  • – Como engajar pessoas nos objetivos da empresa?
  • – Comemoração
  • – Conclusão

Continue a leitura e capacite-se para aplicar a gestão estratégica de pessoas na sua empresa em 3 etapas.

O que é gestão estratégica de pessoas?

Por aqui sempre reforçamos qual é o ativo mais importante de uma empresa: as pessoas. E é por isso que elas devem ser priorizadas pela gestão.

De acordo com Chiavenato (1999), considerado um dos teóricos mais importantes na área de recursos humanos:

“A Gestão de Pessoas nas organizações é a função que permite a colaboração eficaz das pessoas – empregados, funcionários, recursos humanos ou qualquer denominação utilizada – para alcançar os objetivos organizacionais e individuais.”

Essa visão de Chiavenato sobre gestão de pessoas já associa os resultados da empresa ao desempenho dos profissionais que nela atuam e ao alcance de objetivos comuns entre as duas partes, e representa uma evolução do conceito de pessoas não apenas como  um recurso, mas como agente capaz de impactar a estratégia.

Tal mudança ocorreu a partir da década de 1990, com o avanço da tecnologia e da concorrência global. Entendeu-se que as pessoas entregavam conhecimento e competências, e não apenas mão-de-obra. 

Também ocorreram transformações profundas nas relações trabalhistas, e a parceria e a colaboração entre organizações e profissionais seguem em constante mudança.

Atualmente, o mundo do corporativo vive um turbulento momento após a pandemia de COVID-19, com a resistência dos empregados ao retorno do trabalho presencial, assim como os pedidos voluntários de demissão em massa ou “Great Resignation” e uma nova onda chamada de demissão silenciosa ou “Quiet Quitting”.

Todos esses movimentos partem de profissionais em busca de propósito e conexão, de equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional, de realização pessoal e de preservação da saúde, para não adoecerem em função do excesso de trabalho, evitando o burnout, por exemplo. 

No entanto, também revelam o quanto estão desengajados e dessintonizados com os objetivos da empresa, assim como desmotivados com as suas entregas.

No que tange a gestão de pessoas, é o momento do RH trabalhar de forma estratégica, focado em buscar resultados desenvolvendo, treinando e envolvendo todas as pessoas – do chão de fábrica à alta liderança – nos objetivos da organização, com atenção a todo o ciclo do colaborador na empresa, desde o recrutamento e seleção até o seu desligamento. 

Por onde começar uma gestão estratégica de pessoas?

Gerir estrategicamente pessoas começa por inseri-las e engajá-las nos objetivos da empresa.

A palavra engajar vem do francês medieval ENGAGIER, de EN GAGE, que significa “sob compromisso, sob promessa”, de EN “fazer”, + GAGER, “compromisso, garantia” (Origem da Palavra, 2022). Ou seja, tem a ver com fazer algo com compromisso.

No Brasil, o verbo engajar ganhou o sentido de fazer algo com dedicação, afinco e vontade, comprometimento, como apontam algumas definições do dicionário Michelis:

“Abraçar um ideal filosófico, social, político etc. e lutar por ele; Alinhar-se a determinada ordem de ideias ou de ação coletiva; pôr-se a serviço de uma causa; Empenhar-se, esforçar-se, lutar por; Tomar parte em.” 

Dentro do contexto corporativo, engajar significa despertar nas pessoas o compromisso com a causa, alinhá-las aos valores e motivá-las a empenhar-se pelo ideal organizacional, pois são elas que levarão a empresa a atingir os seus objetivos. 

Mas, como tornar alguém conectado à empresa num objetivo que tem que ser mais do que só da diretoria e do presidente? Ou seja, que precisa ser comum. 

Quando falamos de objetivos organizacionais, vislumbramos o negócio: para onde ele está indo? Qual o seu objetivo estratégico?

Três etapas fundamentais englobam esse processo:

  • 1 – Definição do objetivo
  • 2 – Comunicação
  • 3 – Comemoração

Vamos entender cada uma delas.

Definição do objetivo estratégico

No passado, as empresas faziam planejamentos estratégicos de longo prazo, normalmente de 5 a 10 anos. No entanto, em um mundo inconstante e instável como o atual, que está sempre em mudança, também chamado de mundo VUCA, os planejamentos precisam ser adaptáveis ao ambiente competitivo.

São comuns os casos em que os objetivos e planejamentos mudam semestralmente e, dependendo do seguimento, até trimestralmente.

De todo modo, é preciso definir para onde o negócio vai, onde a empresa quer chegar e quando. E, a partir daí, começamos a envolver a liderança e os colaboradores na busca do como chegar nesse lugar, trilhando um caminho conjunto. 

Por isso a importância dos OKRs (Objectives and Key Results) e dos KPI (Key Performance Indicator). Com os indicadores-chave de desempenho definidos, é hora de deixar as equipes trabalharem como elas entendem ser o melhor caminho para alcançá-los, sempre alinhando se está de acordo com o requerido.

Esses objetivos menores também facilitam a reavaliação e a reorganização, para ajustar a rota de acordo com as oscilações do mercado. Permitem também pareá-los com os valores da empresa. Em equipe, são mais olhos para enxergar os problemas e para focar no objetivo, mesmo que as variáveis mudem.

Comunicação do objetivo

Após definir o objetivo estratégico da empresa e desmembrá-lo em objetivos menores para o trabalho da equipe, é preciso comunicá-lo e fazer com que todas as pessoas consigam entender que ele é importante para o negócio, a começar pela liderança. 

Qual o papel da liderança na gestão estratégica de pessoas?

A liderança é o agente fundamental para a conscientização dos colaboradores sobre o objetivo estratégico da empresa. Em outras palavras, é quem encaminhará as pessoas e as movimentará para que o propósito se realize.

E, por esse motivo, não podemos trabalhar gestão, engajamento e objetivo estratégico sem que os líderes tenham a compreensão do “por que, para que, quando e como”. 

Por vezes, a estratégia é bem definida e desenhada por consultorias de renome e tem um alto custo para a administração, porém, a liderança não é envolvida no processo, e perde-se a oportunidade de vender a ideia para quem tem o forte papel de disseminá-la.

Você também poderá gostar desses conteúdos:

Engajar começa por comunicar, empoderar, delegar, e tornar as pessoas parte do negócio e de suas conquistas. Então, após a liderança, os objetivos da empresa precisam ser comuns aos colaboradores. 

De acordo com um dos principais pensadores latinos da comunicação, Juan E. Diaz Bordenave, no livro O que é participação, a participação tem duas bases complementares:

“Uma base afetiva – participamos porque sentimos prazer em fazer coisas com outros – e uma base instrumental – participamos porque fazer coisas com outros é mais eficaz e eficiente que fazê-las sozinhos”.

Segundo o autor, uma base é complementar a outra, e a condição de participar é inerente à natureza social do homem. 

Isso explica a necessidade de nos sentirmos participantes. No trabalho, nossa participação pode ser de sobremaneira instrumental, em busca dos objetivos, e ativa. Ou seja, engajada.

Se adaptarmos o exemplo de Bordenave, nossa situação seria: fazendo parte da empresa, tomamos parte de seus desafios e temos parte em suas conquistas.

Por isso, é preciso comunicar de forma clara, objetiva e encantadora, vendendo a ideia com energia, para incluir o colaborador nesse processo.

Muitas vezes, as empresas restringem a comunicação dos objetivos e de assuntos importantes à circulação de um ofício ou documento formal, sem interação com o colaborador, fora da linguagem dele e sem apresentar o que muda na vida de todos com a conquista.

Sem encantamento e paixão, de que forma esperam que as pessoas comprem as ideias?

Portanto, deixe claro:

  • – O que é que muda na vida das pessoas (colaboradores) se a empresa atingir esse objetivo?
  • – Quando a empresa chegar no lugar que deseja, o que vai ser da vida das pessoas?
  • – O que a empresa e as pessoas passarão a ter – e que atualmente não tem – quando esses objetivos forem conquistados?
  • Uma vez comunicados os objetivos, quais garantias a empresa dá para essa conquista?
  • – Está claro para todos – empresa e pessoas – o que precisam para construir esse futuro?

Comemoração

Um erro cometido pelas organizações é não celebrar as conquistas. Se todos os caminhos anteriores forem seguidos – a definição de objetivo e a comunicação – e não houver comemoração, a trajetória pode se tornar pesada demais.

E, por isso, novamente vemos a importância dos KPIs, envolvendo os colaboradores na busca pelo objetivo estratégico, metrificando as entregas e parabenizando, bonificando ou até premiando os resultados. Tudo isso pode contribuir para uma gestão mais leve e engajadora.

Conclusão

A gestão estratégica de pessoas é importante porque aponta a direção para onde se quer ir com a colaboração de todos e com benefícios para todos. E, para isso, é preciso tornar o objetivo da empresa comum, a começar pelos líderes, comunicando-o de forma encorajadora e motivando a participação e o ganho de todos na conquista.

A USERH é uma plataforma que ajuda a sua empresa com a gestão estratégica de pessoas, contribuindo para o desenvolvimento dos colaboradores. Conheça nossas soluções em Educação Corporativa, Avaliação de Desempenho e, em breve, de Onboarding.

Milena Baroni

Share
Published by
Milena Baroni

Recent Posts

Força de trabalho envelhece, mas empresas ainda ignoram diversidade etária, aponta pesquisa da Rhopen

O envelhecimento acelerado da população brasileira já transforma o mercado de trabalho, mas a maior…

7 meses ago

Relatório Social 2025 marca novo ciclo de responsabilidade social

Mais do que registrar atividades, o Relatório Social 2025 simboliza o amadurecimento institucional na forma…

7 meses ago

Dia Internacional da Mulher: como surgiu, relevância atual e mensagens

O Dia Internacional da Mulher (8 de março) é uma das datas mais importantes do…

7 meses ago

O que são pontos de fricção no recrutamento e seleção e como evitá-los

No cenário atual do recrutamento e seleção, muitas empresas acreditam que estão perdendo candidatos por…

7 meses ago

Reskilling e upskilling: o que são e por que se tornaram vitais na era da IA

Reskilling e upskilling deixam de ser iniciativas pontuais de treinamento para se tornarem alavancas estratégicas…

8 meses ago

Liderança humanizada: de conceito aspiracional a requisito organizacional

A liderança humanizada se consolidou como uma competência essencial para liderar pessoas. Vamos entender o…

8 meses ago